quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Das Pedras de David aos Rochedos de Golias

Vigilantes da Natureza: Das Pedras de David aos Rochedos de Golias

O vigilante, do latim vigilantis, é um profissional que protege. Neste sentido, pergunto-me: haverá bem mais precioso para proteger que a própria Natureza? 

Foi com esta questão retórica que no passado fim-de-semana, entre 1 e 4 de Fevereiro, estive em representação do PAN, como comissária política nacional, no XXI Encontro Nacional de Vigilantes da Natureza, que se realizou em Cascais e em Sintra. Esta experiência foi gratificante por múltiplos motivos. Por um lado, tive a oportunidade de conhecer de modo mais técnico os desafios e as soluções destes profissionais e, por outro, tive o privilégio de privar com as pessoas e não apenas com os números que estas representam. Conheci uma faceta muitas vezes escondida dos decisores políticos: a do relacionamento humano em cenários informais. 


Não descurando os valiosos contributos partilhados e inúmeras necessidades que estes profissionais têm, que são mesmo bastantes (fardamento, deslocações em trabalho, progressões na carreira, idade média de cada profissional, etc.), estar e sentir com tão dignos profissionais e humildes pessoas fez-me reafirmar a necessidade de trabalharmos, todos os dias e de um modo mais afincado, para dignificar esta profissão, garantindo também que o seu saber-fazer no terreno e no contacto com as populações não se perca. 


Os dramáticos incêndios do ano passado recordaram-nos da importância, óbvia, de pensarmos e ordenarmos a floresta com uma visão de continuidade para centenas de anos, e expôs, tragicamente, a urgente necessidade de apostar nestes profissionais que acima de tudo previnem danos e crimes ambientais.


A nível nacional, desde que entrámos no Parlamento, e desde o primeiro Orçamento do Estado (OE), temos promovido, infrutiferamente, o aumento efetivo e objetivo destes profissionais como método preventivo. Atualmente existem apenas 119 Vigilantes da Natureza e no último OE o Governo incluiu a contratação de mais 30 profissionais. Porém, estes números estão muito aquém dos necessários. O PAN defende que o número de efetivos deveria ascender no mínimo a 525 profissionais, tanto no continente como nos arquipélagos. 


Às propostas de reforço dos Vigilantes da Natureza, não só do número, mas dos meios, o Governo tem sempre alegado os elevados custos. Mas que custos humanos, sociais, económicos e ambientais tem o país com os incêndios todos os anos? 


Parece-me que a pergunta se responde por si só. Infelizmente, denoto que, mais uma vez, o Governo vai pelo caminho inverso ao da prevenção, preferindo apostar no combate a posteriori. Recordo, por analogia, o investimento de Espanha. Por exemplo, em Andaluzia, um território com uma dimensão semelhante a Portugal, existem cerca de 900 vigilantes, sendo que em todo o país existem à volta de 7.000 profissionais nesta área.


Este incremento ajudaria também à preservação e à expansão da biodiversidade local e regional, como foi bem expresso neste encontro. Exemplo das dificuldades atuais é a impossibilidade de expansão territorial do único casal das Águias de Bonelli do parque natural Sintra/Cascais. Acresce a este fenómeno, de míngua das áreas protegidas e vigiadas, a falta de corredores ecológicos entre áreas protegidas ou áreas verdes entre municípios, medida presente noprograma eleitoral do PAN em Cascais e que esperamos ver acolhida neste mandato. Falta a visão para ordenar o território de forma integrada, pensando em todas e todos e não apenas no crescimento económico e urbano. 


Por justeza, não posso deixar de mencionar o empenho e o contributo dos municípios de Cascais e Sintra, através dos seus executivos, para a realização deste encontro nacional. Sem dúvida que é uma aposta ganha e que esperamos que continue a ser feita por ambos.


Termino agradecendo o trabalho desenvolvido pela Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza na sensibilização da sociedade civil para a importância desta profissão. Com os seus parcos recursos, os poucos Vigilantes da Natureza em Portugal enfrentam um desafio incomensurável: com “pequenas pedras” combatem “enormes rochedos” da destruição antrópica. Em suma, a Natureza, ou o que resta dela, precisa dos seus Vigilantes, e estes precisam do esforço de cada um/a de nós para que também elas/eles não desapareçam juntamente com as nossas florestas e a sua biodiversidade.


SANDRA MARQUES

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

2 DE FEVEREIRO, É O DIA NACIONAL DO VIGILANTE DA NATUREZA

A comemoração deste dia é uma questão de justiça para lembrar aqueles que durante todo o ano desempenham as suas tarefas com dedicação e profissionalismo.
Estes profissionais são a face visível das políticas ambientais colocando muitas das vezes em risco a própria vida na defesa da Conservação da Natureza.
Os Vigilantes da Natureza orgulham-se da dignidade da sua missão devotando-se a ela com entusiasmo e abnegação.
Em todo o mundo, os Vigilantes da Natureza estão na linha de frente da Conservação da Natureza!
Eles são o rosto e os embaixadores da Conservação da Natureza. 
A variedade de tarefas e deveres dos Vigilantes da Natureza é muito vasta, desde patrulhamento, vigilância, fiscalização, aplicação da lei, até ao contacto com a população local e monitorização da vida selvagem. 
Para uma maior eficácia na defesa do ambiente tem existido recentemente um tímido rejuvenescimento do Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza através do recrutamento de novos elementos para o ICNF, o que consideramos insuficiente porque existe uma falta claríssima de investimento na profissão de Vigilante da Natureza por parte das diferentes tutelas onde estes profissionais desempenham funções, o seu número é tão reduzido que nas CCDR - Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional em algumas regiões não existe nenhum elemento, sendo no total 13 profissionais, na APA - Agência Portuguesa do Ambiente ainda resistem heroicamente 19 profissionais e no ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e Florestas sobrevivem 118 elementos mais 20 estagiários, na Região Autónoma da Madeira existem 38 elementos e na Região Autónoma dos Açores existem 33 Vigilantes da Natureza.
Na totalidade existem 241 Vigilantes da Natureza em Portugal.
Os Vigilantes da Natureza são uns verdadeiros heróis modernos, porque com um efetivo diminuto e com remunerações muito baixas, igual ao ordenado mínimo no período do estágio e pouco mais que isso durante a restante vida profissional, protegem lugares únicos, sacrificando a sua vida pessoal.
A importância do papel dos Vigilantes da Natureza é reconhecida a nível nacional e internacional pelo seu desempenho na Conservação e Preservação da Natureza, porque graças a estes profissionais ainda podemos exibir um país com importantes áreas naturais, mas este reconhecimento tarda em ser ratificado pela tutela, nomeadamente pelo ICNF, APA, CCDR´s e Regiões Autónomas.
A nível mundial as questões ambientais estão na ordem do dia pelo que não se compreende a falta de apoio das entidades que tutelam os Vigilantes da Natureza, preferindo estas canalizar os seus apoios para entidades externas à Conservação da Natureza.
Os Vigilantes da Natureza conquistam aliados, e não colecionam inimigos. A falha em entender este facto pode ter resultados catastróficos numa época em que é urgente unir esforços na proteção da Natureza.
Está mais que demonstrado que para termos sucesso na Conservação da Natureza, a densidade de pessoal de campo é um fator mais efetivo do que qualquer outro.
O papel do Vigilante da Natureza na monitorização das espécies e proteção do património natural e cultural é imprescindível.
A paixão pelo trabalho e o comprometimento demonstrado no dia-a-dia foram fundamentais para que o Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza conquista-se o respeito e a admiração de todos aqueles que de alguma forma lidam com as questões ambientais.
A sua missão dedicada ao interesse comunitário ajudaram a consolidar uma imagem positiva, os Vigilantes da Natureza são sem dúvida um ativo imaterial de valor inestimável.
Os Vigilantes da Natureza exercem funções como Vigilância, Fiscalização, Monitorização, Educação Ambiental, Prevenção de incêndios florestais, e por vezes atividades de busca, resgate e primeiros socorros. É um trabalho que requer, para além de formação adequada, comprometimento e paixão pela natureza.
Os Vigilantes da Natureza têm uma grande união a nível mundial porque reconhecem que a Natureza não tem fronteiras, é uma profissão de risco, aqui e em qualquer lugar do mundo, e esta data serve justamente para recordar os profissionais mortos ou feridos no cumprimento do dever.
Os Vigilantes da Natureza tudo fazem e continuarão a fazer, em defesa da sua missão, pelo futuro sustentável da sua Profissão e em defesa ética e intransigente dos valores naturais que juraram defender e preservar. 

APGVN

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

XXI ENCONTRO NACIONAL DE VIGILANTES DA NATUREZA



XXI ENCONTRO NACIONAL DE VIGILANTES DA NATUREZA

XV JORNADAS TÉCNICAS


01 a 04 de Fevereiro de 2018
Quinta do Pisão - Alcabideche – Cascais

Organização:

Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza

Cascais Ambiente

Parques de Sintra Monte da Lua


1 Fevereiro

18:00 Receção dos participantes

18:30 Assembleia Geral APGVN

20:00 Jantar de Boas Vindas


2 Fevereiro

09:00 Receção e Registo dos participantes

09:30 Cerimónia de abertura do Dia Nacional do Vigilante da Natureza


Secretário de Estado das Florestas (a confirmar)

Célia Ramos, Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza

Presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (a confirmar)

Presidente da Câmara Municipal de Cascais (a confirmar)

Presidente da Câmara Municipal de Sintra (a confirmar)

Domingos Quintas, Vereador da Câmara Municipal de Sintra

Luís Almeida Capão, Presidente do Conselho de Administração da Cascais Ambiente

Parques de Sintra Monte da Lua

Niklas Goth, European Ranger Federation

Gordon Miller, International Ranger Federation

Francisco Correia, Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza


10:30 Pausa para café

10:45 Jornadas Técnicas

Tema 1 - Vigilantes da Natureza

Moderador: (a indicar)

Oradores:

João Edgar - Vigilante da Natureza (Agência Portuguesa do Ambiente)

Nelson Pereira - Vigilante da Natureza RAM (Região Autónoma da Madeira)“Vigilantes da Natureza - Carreira, ontem, hoje e amanhã”

(a indicar) Vigilante da Natureza RAA (Região Autónoma dos Açores)

(a indicar) Vigilante da Natureza CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional)

José Manuel Campeão - Vigilante da Natureza ICNF, "O lobo e a sua importância nos ecossistemas - Nova abordagem na avaliação a prejuízos atribuídos ao Lobo Ibérico (Canis lupus signatus)”

12:00 Pausa para café

12:15 Jornadas Técnicas

Tema 1 - Vigilantes da Natureza

Oradores:

Niklas Goth, European Ranger Federation

Branko Stivich, Associação de Rangers da Croácia

Rubén Cabrero, Associação de Rangers de Espanha (a confirmar)

Gordon Miller, Presidente Honorário da International Ranger Federation

13:15 Debate

13:30 Almoço


15:00 Jornadas Técnicas



Tema 2 - Projetos de Conservação da Natureza

Moderador: (a indicar)

Oradores:

João Cardoso de Melo, Diretor da Gestão da Estrutura Ecológica, Cascais Ambiente

- Voluntariado Ambiental - Oxigénio e NaturaObserva

- Banco Genético Vegetal Autóctone - preservação do património genético do PNSC

- Estratégia de Visitação do PNSC - dinamização do Turismo de Natureza no PNSC, constituição da Rota do Ocidente, monitorização da visitação nas áreas de gestão

- Natureza para Todos/GreenTrails - projeto em curso que pretende promover a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida no PNSC

- Ordenar acessos no PNSC e organizar trilhos dirigidos para a prática de atividade física não desportiva

Sofia Saraiva, Gabinete Técnico Florestal da Câmara Municipal de Sintra, “Demonstração/exercício de 1.ª Intervenção a incêndios florestais - Sapadores Florestais”

Inês Moreira, “Conhecer para proteger - Património Natural sobre gestão da Parques de Sintra Monte da Lua”

Marcelo Fernandes, Vigilante da Natureza ICNF, “A valorização do Geopatrimónio na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica”

18:30 Debate

18:45 Apresentação de candidaturas para o XXII Encontro Nacional de Vigilantes da Natureza

Luís Filipe Correia, Vigilante da Natureza ICNF

19:00 Fim das Jornadas Técnicas

20:00 Jantar


3 Fevereiro


10:00 Visita técnica à Tapada do Saldanha

Temas a abordar:

Controlo de espécies invasoras        

Habitats e espécies protegidas (pinguicola, habitat 4020, percorrer linha de água onde será possível observar anfíbios, e várias espécies RELAPPE)

13:00 Almoço

14:00 Visita cultural:

Visita guiada ao Palácio e Parque da Pena

20:00 Jantar


4 Fevereiro


10:00

Duna da Cresmina - projeto de restauração ecológica da maior duna parabólica da europa

Cabo da Roca

Adega Regional de Colares (a confirmar)



13:00 Almoço de despedida




sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Concurso externo de ingresso de Vigilantes da Natureza


Aviso n.º 13241-A/2017
Diário da República n.º 212/2017, 1º Suplemento, Série II de 2017-11-03
  • Data de Publicação:2017-11-03
  • Tipo de Diploma:Aviso
  • Número:13241-A/2017
  • Emissor:Ambiente e Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P.
  • Páginas:24900-(2) a 24900-(6)
  • Parte:C - Governo e Administração direta e indireta do Estado

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

APGVN em direto no canal televisivo TVI 24 Especial Informação


O Presidente da APGVN - Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza, Francisco Semedo Correia, esteve em direto no canal televisivo TVI 24 Especial Informação no debate PORTUGAL DEVASTADO PELO FOGO.


>>Ver aqui


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Declaração do Primeiro-Ministro sobre os incêndios florestais


Atenção ao 5º parágrafo da Declaração do Primeiro-Ministro sobre os incêndios florestais de 15 e 16 de outubro

O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que «da parte do Governo podem contar com total determinação na assunção de responsabilidades, na reconstrução dos territórios e na reparação de danos, na execução das reformas da floresta e do modelo de prevenção e combate aos incêndios florestais», numa declaraçãosobre os incêndios florestais de 15 e 16 de outubro.

 Todavia, «este tem de ser o esforço participado e coletivo de toda a sociedade. Só assim estaremos à altura da exigência que todos partilhamos: depois deste ano, nada pode ficar como antes», sublinhou.

Referindo que nos dois dias «o País tem sido assolado com a maior vaga de incêndios desde 2006», o Primeiro-Ministro deixou «o compromisso do Governo de que apagadas as chamas, a solidariedade desta hora terá continuidade no momento da reconstrução e da reparação dos danos».

«Este é um momento de luto, de manifestar às famílias das vítimas as nossas condolências e de prestar a nossa solidariedade às populações» que tentaram proteger as suas vidas e salvar as habitações, bens e empresas.

Este é também o «momento de dar palavra de reconhecimento, de gratidão e alento a todos os que socorrem as populações e combatem as chamas sejam ele bombeiros voluntários ou profissionais, sapadores florestais, guardas da natureza ou florestais, militares da GNR ou das Forças Armadas, profissionais de saúde ou de ação social».

António Costa assegurou «que todos os meios disponíveis foram mobilizados, incluindo as Forças Armadas» e que foram acionados os mecanismos de apoio internacional, designadamente o mecanismo europeu de proteção civil, e foi ativado o estado de calamidade.

A GNR e a PJ «tem intensificado o combate à criminalidade associada aos incêndios, tendo quase duplicado o número de suspeitos identificados do ano passado para este ano».

Problema estrutural

 O Primeiro-Ministro sublinhou o caráter estrutural dos incêndios florestais, razão pela qual «lançámos há um ano a reforma da floresta», que, «com toda a determinação, nos cumpre executar de modo assegurar a redução estrutural do risco de incêndio, para garantir que temos uma floresta sustentável, que contribua para a vitalidade do mundo rural, que não seja um fator de desertificação e ameaça à segurança das populações».

«Temos consciência que o País nos exige resultados em contra-relógio, após décadas de desordenamento florestal», mas «encontramos nesta exigência nacional motivação acrescida para vencermos coletivamente esta batalha».

«A dilação na produção de resultados só torna mais urgente o início da concretização da reforma da floresta», que «não esgota as consequências a retirar deste verão dramático».

Assim, o Governo vai concretizar em medidas as conclusões e recomendações do relatório da comissão técnica independente nomeada pela Assembleia da República que analisa em profundidade todo o nosso sistema de prevenção e de combate a incêndios florestais, desejando que o consenso que presidiu à constituição desta comissão se mantenha em torno das decisões a tomar.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Não passou de uma miragem, de uma ilusão!


50 novos Vigilantes da Natureza! Não passou de uma miragem, de uma ilusão!

Em todo o mundo, os Vigilantes da Natureza estão na linha de frente da Conservação da Natureza!
Eles são o rosto e os embaixadores da Conservação da Natureza.
A variedade de tarefas e deveres dos Vigilantes da Natureza é muito vasta, desde patrulhamento, vigilância, fiscalização, aplicação da lei, até ao contacto com a população local e monitorização da vida selvagem.
Estas múltiplas funções são e continuam a ser desempenhadas com grande profissionalismo por um número escasso de Vigilantes da Natureza, que com parcos meios consegue desenvolver o seu trabalho muitas vezes devido à sua imaginação, experiência profissional e engenho.
Existe uma falta claríssima de investimento na profissão de Vigilante da Natureza por parte das diferentes tutelas onde estes profissionais desempenham funções, o seu número é tão reduzido nas CCDR - Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional que em algumas regiões não existe nenhum elemento, sendo no total 13 profissionais, na APA - Agência Portuguesa do Ambiente ainda resistem heroicamente 27 profissionais e no ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e Florestas sobrevivem 118 elementos.
O que aqui se escreve não é fruto da nossa imaginação, é verdadeiro e real, o que é uma miragem e uma ilusão é o que está previsto no Orçamento de Estado (OE) onde se preconiza a admissão de pelo menos 50 Vigilantes da Natureza para os quadros do ICNF. A realidade é que está a aproximar-se o final do ano de 2017 e não se vislumbra a entrada de novos elementos para a profissão.
Infelizmente sempre foi política do Ministério do Ambiente, não apenas do atual, abandonar e desprezar aqueles que desempenham as funções de defesa do ambiente e da conservação da natureza, sempre preferiram apoiar outras entidades pertencentes a outros Ministérios em detrimento dos funcionários da sua própria casa, é uma herança que parece aceitaram de bom grado!
O investimento em equipamentos e em formação para os Vigilantes da Natureza não passa de uma miragem. A realidade é que faltam os meios operacionais para o exercício das nossas funções, com especial incidência nas viaturas, meios informáticos e de comunicação. A verdade é que a formação contínua dos Vigilantes da Natureza é primordial para elevar os níveis culturais e conhecimentos técnicos para que se possa dar resposta à complexidade crescente que é a conservação da natureza e da biodiversidade, mas continuam a ser-nos negadas.

A nossa dedicação e profissionalismo não são em vão porque a proteção da natureza e da vida selvagem é a nossa missão!

APGVN

domingo, 8 de outubro de 2017

Verdes acusam Governo de desresponsabilização


O partido os Verdes transmitiu hoje preocupação perante a "desresponsabilização" da administração central na conservação da natureza, agravada com a progressiva transferência da direção e gestão das áreas protegidas para as autarquias.

Na sua análise da proposta de revisão da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade, que esteve em consulta pública até 30 de setembro, o Partido Ecologista os Verdes (PEV) alerta para "a municipalização da natureza" e defende o reforço de meios, nomeadamente de guardas e vigilantes.

"É com grande preocupação que o PEV vê esta contínua desresponsabilização da administração central em relação à conservação da natureza e à gestão da rede de áreas protegidas", salienta em comunicado.

Desresponsabilização que "é aprofundada com esta estratégia ao pretender passar progressivamente a direção e gestão das áreas protegidas para as autarquias locais", acrescenta.

"A extinção das direções das áreas protegidas foi um erro que tem contribuído para o processo de degradação" de vários destes espaços, critica o PEV.

Os Verdes defendem que devem ser retomadas as direções para cada área protegida, numa aposta na gestão de proximidade, por isso, os parques e reservas nacionais e naturais "devem ser dotados de uma direção e de um diretor".

Mas, aponta, o diretor "deve ser indicado e responder perante o ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas]".

"Logicamente não podemos descurar o importante papel que as autarquias têm a desempenhar nas áreas protegidas e que por isso devem estar representadas", admite, no entanto o PEV.

A sua posição é que a salvaguarda do património natural, "que a todos pertence, deve ser encarado como um todo e por isso mesmo gerido pela administração central, com uma estratégia nacional".

Os Verdes garantem continuar a propor em sede de Orçamento do Estado o reforço dos meios humanos, materiais e financeiros -nomeadamente no que respeita ao corpo de guardas e vigilantes da natureza -, para obter um aumento progressivo, durante os próximos dez anos.

Segundo os Verdes, o continente deve ter, pelo menos, 300 guardas e vigilantes, "pelo que o reforço anual deve ser de 50", até se atingir esse número, sendo que, referem, o corpo destes profissionais tem atualmente 118 elementos, estando previsto um reforço de 30 elementos até final do ano.

Reclamam a concretização de um levantamento exaustivo e "o mais real possível" da situação dos habitats e espécies da fauna e da flora portuguesas.

No parecer enviado à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o PEV critica o período escolhido para a consulta pública do documento, coincidindo com a campanha para as eleições autárquicas, transmite dúvidas acerca da "verdadeira eficácia" do documento, já que "a primeira versão, em vigor desde 2001, foi implementada de forma muito deficitária", e refere que esta revisão "peca por tardia", tendo sete anos de atraso.

Os Verdes apontam a necessidade de um reforço de medidas para aumento da biodiversidade, de um plano de ação para a redução das mortes da fauna por atropelamento nas estradas portuguesas e de encontrar forma de travar a monocultura florestal nas áreas protegidas.

Fonte: DN/LUSA

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Curso de Identificação de Peixes dos Ecossistemas Fluviais


6ª Edição do Curso de Identificação de Peixes dos Ecossistemas Fluviais de Portugal, de 9 a 13 de Outubro em Lisboa.

O Curso de Identificação de Peixes dos Ecossistemas Fluviais de Portugal realiza-se anualmente no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, lecionado pelos maiores especialistas nacionais dos diferentes grupos de peixes.
Os peixes dulciaquícolas e migradores constituem o grupo de vertebrados mais ameaçados de Portugal, havendo uma enorme falta de conhecimento essencial para a conservação deste grupo. De referir que não existem quaisquer guias de identificação das diferentes espécies em Portugal, que este grupo tem sido alvo de constantes revisões taxonómicas, de actualizações das áreas de distribuição das diferentes espécies e invasões de novas espécies em Portugal.
 Nas edições anteriores no Curso de Identificação de Peixes já participaram cerca de 90 formandos de diferentes Universidades, Institutos, Empresas de Consultoria e Câmaras Municipais. A avaliação dos alunos tem sido excelente, com elevado nível de satisfação. Por exemplo, a avaliação global do curso pelos alunos tem uma avaliação 4.78 (no máximo de 5), considerando a avaliação realizada por 89 formandos.
 Este curso intensivo, com duração de uma semana, tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre as comunidades de peixes existentes nos ecossistemas fluviais Portugueses. O curso tem uma forte componente prática, formando os participantes para conhecer e aprender a identificar as 65 espécies nativas e exóticas encontradas nos nossos rios e barragens. Os participantes terão uma saída de campo aprendendo várias técnicas de amostragem e uma visita ao Fluviário de Mora.

 Mais informação aqui:
 https://sites.google.com/site/cursopeixesfluviais/

 Email de contacto: cursopeixes2014@gmail.com